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De pequenas reuniões a oficinas culturais: conheça o projeto ‘Jovens Artistas’ do CAPSi Cariacica
02/06/2026 15h17 - Atualizado em
02/06/2026 16h03
A paixão da juventude pela arte tem o poder de mover o mundo. E, neste caso, mexeu com toda a rotina do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) de Cariacica.
Tudo começou quando uma adolescente atendida pela unidade — a partir de diálogos com uma assistente social — deu vida a um grupo de jovens no CAPSi interessados em debater sobre arte. Com o tempo, contudo, o coletivo percebeu a necessidade de ir além: a iniciativa demandava apoio para crescer e os adolescentes queriam vivenciar o tema na prática. Foi nesse cenário que o Edital de Boas Práticas da Rede Abraço surgiu como oportunidade.
Após a submissão da proposta do grupo e a conquista no Edital de Boas Práticas, as pequenas reuniões para debater o assunto se expandiram e a iniciativa foi batizada como “Jovens Artistas”. O projeto passou a contar com o suporte de um educador social e com uma programação diversificada de oficinas, que já incluíram tranças, letras e rimas, além de iniciação à fotografia com um profissional da área. Mas o projeto não ficou só nisso.
Pensando na segurança alimentar dos adolescentes em situação de vulnerabilidade que frequentam as oficinas, o projeto incluiu o fornecimento de lanches nos dias de atividades.
Com a proposta a todo vapor na unidade, toda a movimentação artística ganhou ainda mais força terapêutica, com atividades direcionadas para fortalecer os vínculos socioafetivos, estimular a expressão criativa e apoiar a adesão ao tratamento no contexto do cuidado em saúde mental e de pessoas que fazem uso abusivo de substâncias.
Segundo a proponente do projeto e assistente social do CAPSi, Sabrina Dantas, apesar de tantas mudanças com o investimento da Rede Abraço, teve algo que não mudou do grupo inicial: a ideia de continuar ouvindo as demandas dos adolescentes.
“No projeto, além do acompanhamento com os adolescentes, nós vamos identificando as fragilidades do grupo e o que podemos trazer de acordo com a demanda deles. Fazemos esse levantamento das oficinas que eles querem e construímos, junto com os educadores, o processo de acesso à produção cultural. Além disso, nosso propósito maior é a redução de danos e a reabilitação, especialmente em relação ao uso abusivo de álcool e outras drogas, que é o foco do CAPSi em relação à saúde mental desses adolescentes”, explica a coordenadora.
A adaptação e a modernização também andam juntas com o projeto. O objetivo é sempre manter os adolescentes à vontade e interessados para continuar participando - o que inclui, além de ouvir suas demandas, levá-los a outros locais, como o Centro de Referência das Juventudes (CRJ), onde podem ter contato com outros jovens e novas formas de expressão.
“Hoje, o adolescente está muito vinculado à tecnologia, à dança ou à música. Se um jovem foi para o mundo do crime e você só criminalizar a sua escolha, você não vai conseguir convertê-lo. É preciso ver o que ele gosta e, por meio disso, trazê-lo para perto. Quando esse jovem se aproxima e vê que ali existe uma outra perspectiva de crescimento — inclusive dentro do que ele já gosta —, ele começa a perceber: ‘Poxa, por que eu vou fazer o errado se aqui, dentro do certo, eu consigo algo?’”, afirma o produtor cultural e coordenador de articulação do projeto, Cristiano Lopes.
Atualmente, o projeto atende 10 adolescentes que são assistidos pelo CAPSi de Cariacica.