Dia Mundial da Saúde e Nutrição: a importância da alimentação na recuperação do abuso de substâncias

31/03/2025 14h27 - Atualizado em 31/03/2025 14h34

O tratamento para pessoas que vivem com problemas com álcool e outras drogas envolve uma equipe multidisciplinar, incluindo profissionais da saúde como psiquiatra, psicólogo e clínico geral, responsáveis pelos cuidados da saúde mental e física. No entanto, há um acompanhamento essencial, que potencializa todas as transformações realizadas por eles: a nutrição.

Neste Dia Mundial da Saúde e Nutrição (31 de março), é fundamental lembrar da ciência que estuda a relação entre a alimentação e a saúde do ser humano, e que traz novamente uma vida saudável para as pessoas, como é o caso da acolhida Michele Fernanda, de 39 anos.

Ao iniciar o processo de recuperação, Michele, que trabalha como subgerente em um supermercado, enfrentou desafios nutricionais, como a compulsão alimentar.

“Durante o período de desintoxicação, eu estava comendo muito, absolutamente tudo o que eu via pela frente. E isso era preocupante. A orientação nutricional me ajudou muito nisso, a entender o problema e a regular os meus horários e os alimentos que comia. Hoje, eu vejo muita diferença em relação aos meus hábitos alimentares e também meu peso”, conta a acolhida.

A influência das substâncias psicoativas na nutrição

O uso de substâncias psicoativas ocasiona uma diminuição na oferta de nutrientes essenciais à manutenção das condições de saúde do organismo, podendo causar perda de peso e desnutrição.

De acordo com a nutricionista da Rede Abraço, Zieli Marcolino, é comum encontrar pacientes encaminhados para desintoxicação emagrecidos e em condições nutricionais inadequadas devido ao uso abusivo de álcool e outras drogas de forma acentuada e contínua.

“A utilização de algumas substâncias psicoativas tende a debilitar o organismo, pois durante os períodos de uso a pessoa reduz o apetite, ficando longos períodos sem se alimentar. Já outras, como o álcool, podem aumentar o apetite, intensificando a preferência por alimentos pouco saudáveis, ricos em calorias vazias e pobres em nutrientes essenciais. O uso crônico de álcool e outras drogas interfere no metabolismo, levando à deficiências nutricionais e problemas de saúde”, explica a nutricionista.

Além do desequilíbrio causado pela própria substância, há outros fatores que levam à dificuldades nutricionais, como os medicamentos do tratamento, que podem interferir na nutrição - alguns reduzem o apetite, enquanto outros aumentam a sensação de fome.

A importância da nutrição na recuperação dos atendidos

Devido aos danos causados pelo álcool e outras drogas no organismo, é essencial que os atendidos recebam acompanhamento nutricional, para serem orientados sobre uma alimentação adequada capaz de fornecer os nutrientes necessários para o fortalecimento da saúde.

O acompanhamento nutricional, além de possibilitar a melhora da saúde física, mental e emocional durante a reabilitação, também ajuda na organização da vida diária dos acolhidos, com o estabelecimento de uma rotina alimentar e horários definidos.

“Nós precisamos entender o ser humano como um ser biopsicossocial, integral e composto por várias necessidades que precisam ser trabalhadas para sua qualidade de vida e bem-estar. As práticas de alimentação saudável são complementares no manejo da ansiedade, aliadas ao processo terapêutico e à medicação”, ressalta Zieli.

Alimentos introduzidos para o fortalecimento dos acolhidos

Algumas orientações alimentares passadas para os assistidos para possibilitar a práticas de hábitos alimentares saudáveis são:

  • Consumo de alimentos in natura e minimamente processados, que são fontes dos nutrientes necessários na promoção e manutenção da saúde física e mental. 
  • Criação de um plano alimentar individual para possibilitar o acesso e rotinas de cada indivíduo
  • Em casos que apresentam ansiedade, há orientações para redução do consumo de alimentos com alto de teor de cafeína, por ser um estimulante (café, energético, chás pretos, refrigerante cola, guaraná, chocolate etc).

Texto: Júlia Paranhos

Indicadores do Programa Estadual sobre Drogas desde 2019